Peixe boi chapadão: vem ouvir a psicodelia inventiva da Manatins

Com um ano de banda, o quinteto já conseguiu atrair os holofotes para suas misturas de referências e reivindica posição de destaque no indie amazônico.

Deu pra sentir a energia da Manatins pela conversa que tive há cerca de um mês com Humberto Carvalho (20) sobre a história da banda. Todos os detalhes desde a escolha do nome, até a formação dos integrantes e do lançamento do single “Cartomante” (2019) e do EP “Animais Fabulosos, Espíritos da Amazônia” (2020) foram narrados em dezenas de áudios no WhatsApp, com entusiasmo suficiente pra enfrentar uma pandemia extraindo material para criação artística.

Diferente das outras gerações que olham para trás na hora de emprestar coragem pra colocar o som na rua, a Manatins faz parte da turma que enxerga em seus pares a inspiração pra fazer música. O trabalho da Noturna e da O Cinza foi decisivo pra formação da banda e pro encontro de Humberto com Juca (18), Arthur (19), Mansur (22) e Rasec (24).

A animação em fazer parte do cenário indie paraense é amparada na humildade que os meninos têm em criar. Livre de rótulos, de guias, de ansiedades em construir uma carreira notória baseada nas virtuosidades musicais, eles só querem tocar. “A gente não segue um ritmo específico. A primeira música é um rock mais triste, a segunda é um reggae com música oriental e a última já é algo mais psicodélico. A Manatins é fruto dessas misturas e de experimentação”, conta Humberto.

Quando a banda surgiu, tomados de êxtase pelo disco amarelo lançado pela “O Terno” pensaram que o trocadilho “Pior do Que Parece” coubesse perfeitamente no processo de naming da banda: “a gente achava que tinha muita pinta de que tocava muito bem, mas na hora de começar a tocar era muito ruim”, zomba. Logo viram que mereciam mais e surgiu “Manatins” (outro nome para “peixe boi”) como uma ideia perfeita para exprimir o que são de verdade, animais marinhos da amazônia na maior viagem.

HORA DE APRENDER

A Manatins é mais uma banda que surge da tutela de Marcel Barretto, músico e produtor que transformou seu estúdio Budokaos em um celeiro indie de Belém. Kikito e Raidol, pra citar alguns nomes que já ganharam destaque na cena, saíram desse processo que chega a ser paternal. Não à toa, ele é carinhosamente chamado de “Manapai”.

“A gente aprendeu muita coisa com ele, musicalmente e pra vida, ele deu muitas lições, conselhos e isso foi muito importante pra gente evoluir musicalmente e como pessoa. É como um guru, um mestre. Marcel Barretto foi uma das melhores coisas que já aconteceu na Manatins”, confessa Humberto.

Depois do lançamento do EP “Animais Fabulosos, Espíritos da Amazônia” esse ano, a banda passa por um processo de estudo musical e de marketing para melhorar seu alcance e chegar até novos fãs. Estão reclusos, escrevendo e vivendo as emoções da pandemia pra transformar tudo em poesia e música, colocando pra fora o que vivem e sentem, como têm feito desde o ano passado.

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(Jornalista)

Gustavo é jornalista e gerente de comunicação do selo Urtiga.

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