Ouça Tangerina, novidade paraense que mistura dreampop e shoegaze

Criada por amigos de infância, o quarteto já lançou dois singles e prepara EP para depois da crise.

Ouvir o som da Tangerina é animador. Bem produzida, a banda acompanha as referências do cenário indie atual, aproveitando a herança do indie rock do final do século passado e início dos anos 2000, atualizados com dreampop na medida certa, sem sonolência e com emoção. Criada pelos amigos de infância Lucas Lima (guitarra e voz) e Leonardo Castro (guitarra) que também é integrante da banda “O Cinza”, o grupo ficou completo com Rodrigo Rasec (baixo e voz), integrante de outra novidade, a “Manatins”, e César Lima (bateria), que também assume as baquetas na “Monstra” e na “Blind For Giant”.

Os dois singles lançados, “Você” (outubro de 2019) e “7/12” (janeiro de 2020), apresentam facetas diferentes do processo de composição do grupo. O primeiro lançamento, produzido por Marcel Barretto em seu Budokaos Studio, é uma sátira ao “garoto de banda”, define Lucas Lima, vocalista, guitarrista e um dos fundadores da Tangerina. “[É] uma situação adolescente do garoto querer ser notado pela pessoa que ele gosta e tá fazendo uma banda por ela”, explica.

Já segunda música é introspectiva, ainda que fale sobre um tema universal: término de relacionamento e sua relação com a cidade. Produzida pelo próprio Lucas Lima e finalizada pelo produtor Mateus Estrela, a letra, curta e cirúrgica, chora “É duro andar nessa cidade e ver você por aí”. “O processo de criação dessa música foi mais ou menos pensado no sentido de que tu tá vivendo um luto, uma tristeza pelo término e a cidade te lembra a pessoa em todo lugar que tu vai”, revela Lucas, que compôs a canção ao lado do baixista da banda, Rodrigo Rasec.

Inspirada principalmente pela paulistana “Terno Rei”, Tangerina também mira no indie e dreampop mundial de bandas como Beach Fossils, Diiv, Slowdive, Turnover e Radiohead, e veem o compasso de João Gilberto como grande influência. Dentro da cena paraense independente, Lucas tem referência em bandas como “O Cinza”, “Joana Marte” e Meio Amargo”, e as inclui no hall de artistas importantes no processo de criação das músicas da banda.

Interrompida pela crise do Covid-19, a gravação do primeiro EP será retomada assim que a vida normalizar, com esperanças de que 2020 ainda sinta o gostinho de Tangerina fresca nas plataformas de streaming. O estúdio Abbey Monsters de Andro Baudelaire foi o celeiro escolhido para dar vida ao projeto. Estamos ansiosos.

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(Jornalista)

Gustavo é jornalista e gerente de comunicação do selo Urtiga.

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