Saudando suas ancestralidades, Bruno BO lança o primeiro single do DVD “Afroamazônico”

Acompanhado de um videoclipe, o single “Arma Literária” conta com as participações do rapper carioca Thiago Elniño e dos paraenses do Bando Mastodontes.

Foto: Luiza Chedieck

Iroko é o orixá da ancestralidade, mestre do tempo e da árvore sagrada pela qual passaram todos os orixás, e é à ele que Bruno BO pede passagem para dar início ao seu novo projeto. O single “Arma Literária”, lançado nesta terça-feira (16/04), integra o DVD “Afroamazônico”, primeiro DVD de hip hop do norte do país, com patrocínio do programa Natura Musical, Fundação Cultural do Pará, Lei Semear e Governo do Estado do Pará.

Reforçado com as rimas do rapper carioca Tiago Elniño e com o coro do Bando Mastodontes, o single saúda a fé e força das religiosidades que não fazem parte do “cânone” cristão. A letra foi escrita em parceria com o rapper Thiago Elniño e, de acordo com Bruno BO, a canção aborda “a ideia que nossas raízes e nossa ancestralidade é tudo aquilo que aprendemos e escrevemos. Nossa literatura oral foi se adaptando até chegar ao Rap, o qual é a nossa arma literária para combater a opressão e o racismo”, explica.

O refrão “Ouve muito, fala pouco / Orientação do meu cabôco / Quanto a falsa profecia dos santos do pau oco / Vamos saudar Iroko!” nos remete àquelas figuras que manipulam a população por meio da religiosidade ao se colocarem na posição de “santos” ou salvadores. Com o fundamentalismo religioso legitimado pela estrutura política atual, abordar esse tema pode ser delicado, porém é o maior ponto de identificação entre os rappers e o que fortaleceu a parceria:

“Quando decidi trazer a temática do culto aos Orixás para o meu trabalho, muita gente me aconselhou a não fazer isso, pois devido o racismo com a espiritualidade e cultura africana e afro-brasileira, eu poderia receber um retorno negativo ao meu trabalho. Porém, quando dei início a essa proposta, o retorno foi o contrário. Daí, vieram coisas boas e encontros muito positivos. O Bruno é um desses encontros, um irmão que desde o primeiro momento tivemos identificação e muito disto por conta de nossa relação com a ciências espirituais africanas”

destaca Thiago Elniño.

Mãe Sinhá participou do videoclipe de “Arma Literária” e fez o acolhimento espiritual dos artistas no Terreiro de São Jorge Ogum Rompe Mato, local escolhido para as gravações.
Foto: Luiza Chedieck

Apesar de ser adepto do Candomblé, religião exclusivamente africana, Bruno BO escolheu o Terreiro de São Jorge Ogum Rompe Mato para a gravação do videoclipe, por ser um terreiro de Tambor de Mina, versão mais difundida no estado do Pará, representando bem o conceito de “afroamazônico”. Trazendo a tona os preconceitos que orbitam esse tema, o videoclipe faz uma homenagem às lutas de Luiz Tayandô e Táta Kinamboji e nos lembra de vítimas de intolerância religiosa no Pará: Mametu Luango, Pai Roberto Ruan Neves da Silva, Babalorixá Bessen Ny Odo, Pai José Flávio Ferreira de Andrade, Pai Xoroquê do Brasil, Babalorixá Sigbonile e Nego Banjo.

Assista o videoclipe:

Redação a partir de texto da assessoria de imprensa.

0 I like it
0 I don't like it

Isa é jornalista e gerente de distribuição do selo Urtiga.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *