Segunda edição do Psica Festival reabasteceu as energias para 2019

Tendo o público como maior patrocinador e ‘resistência’ como palavra de ordem, o Psica Festival 2018 proporcionou encontros inéditos e revigorantes nos palcos do Insano Marina Club no último dia 22.

Foto: Isabella Moraes

O Coceira é parceiro de mídia do Psica Festival

Faltam poucos dias para o que João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão, chamou de “apocalipse fascista”, e foi nessas vésperas que aconteceu o Psica Festival 2018, um dos festivais mais necessários para a cena independente paraense (e porque não, nacional?). Com dois dias de programação musical, entre outras atividades paralelas, o Psica manteve a resistência como palavra norteadora do festival e reverberou em elogios do público nos dias seguintes.

Além da miscelânea da programação musical (já já falamos disso!), a entrega do público nos shows foi um destaque a parte. Em um festival independente que não contava com o apoio de patrocinadores, o público nunca foi tão importante, o que fez as pessoas literalmente vestirem a blusa e criarem um forte vínculo de pertencimento e identificação com o festival.

Na última noite do festival que aconteceu dia 22, fomos do grindcore ao brega pop, unindo diferentes públicos e mostrando que todas as músicas são pra todos. Independente do que ouvimos e os shows que frequentamos, não precisamos nos dividir, ainda mais com as ameaças do ano que se aproxima, e essa foi a maior mensagem do festival.

Além do sentimento de união, o momento foi um prato cheio para o público experimentar novos sons, pois ao mesmo tempo em que uma parte do público revezava a frente do palco no seu show preferido, tiveram aqueles que nunca tinham se aventurado em uma roda punk e decidiram participar de ao menos uma das várias que rolaram, e fãs da música underground que foram contagiados pelo brega nostálgico do grupo Xeiro Verde.

Outro ponto forte da programação do último dia foram as participações inéditas em alguns shows que levaram a plateia ao êxtase. A banda paraense mais antiga em atividade, Os Delinquentes chamaram ao palco mais de dez garotas que fazem parte do circuito underground para participar da última música, deixando claro que existem muitas mulheres que fazem e consomem essa cultura em Belém mas infelizmente ainda não possuem a visibilidade e o espaço necessário.

A paraense Aíla foi uma das convidadas no show das Merenárias / Foto: Isabella Moraes

Um dos shows mais explosivos da noite, sem sombra de dúvidas, foi do Bando Mastodontes que teve o ápice da apresentação ao convidar Jayme Katarro, vocalista dos Delinquentes, para dividir uma música e depois aumentar a pressão ao receber o Dj DBL e Mateo Piracés-Ugarte (Francisco, El Hombre) para encerrar o show com os maiores hits dos Mastodontes e a famosa e super contextualizada “Bolsonada” da Francisco, El Hombre. A pernambucana Duda Beat compartilhou as frequências com a paraense Luê para cantar o sucesso “Bixinho”.


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Por fim, as veteranas da banda As Mercenárias receberam a cantora Aíla para tocar uma composição que fizeram em parceria e ainda não foi lançada, “Desconectar para Conectar” e ainda deu para cantar a clássica das Mercenárias, “Somos milhões”, faixa que costuma fazer parte dos shows da Aíla. A cantora Sammliz apesar de já conhecer a banda nunca tinha tocado com elas e por isso foi um momento único e emocionante quando entrou no palco para cantar as duas músicas das Mercenárias que foram as primeiras músicas que a paraense cantou em um palco na sua carreira, ainda aos 15 anos de idade.

Como falamos no início do texto, 2019 se aproxima e o futuro da música e festivais independentes é incerto, mas a cultura é o nosso maior espaço de resistência e o Psica Festival fez a sua parte em renovar as energias do público e dos artistas. Como dizem As Mercenárias, “estamos todos por baixo das mesmas garras” e deixar as diferenças de lado para nos unir vai ser mais do que um ato de resistência, será a nossa sobrevivência. Vida longa ao Psica.

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Isa é jornalista e gerente de distribuição do selo Urtiga.

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