Em entrevista, Duda Beat confessa que é uma bregueira romântica

Artista pernambucana é um dos destaques da programação do Pisca Festival, realizado neste sábado, 22 de dezembro.

Foto de destaque: divulgação

O Coceira é parceiro de mídia do Psica Festival.

A pernambucana radicada no Rio de Janeiro, Duda Beat, foi um dos nomes mais comentados da música independente brasileira no ano de 2018. O disco “Sinto Muito” está presente em quase todas as listas de melhores do ano da imprensa especializada, mostrando que o sotaque e a música nordestina estão em alta. A cantora se apresenta em Belém pela primeira vez, dentro da programação do Psica Festival, como um dos destaques, e conversou com o Coceira sobre o show e como o brega paraense e pernambucano influenciam sua carreira.

O Psica será realizado nesse sábado, 22 de dezembro, no Insano Marina Club, com abertura dos portões às 16h. Duda sobe no palco por volta de 23h40. Os ingressos serão vendidos na portaria e custam R$40 até 18h, depois desse horário o preço sobe pra R$50.

Cantando sobre o términos de relacionamentos e problemas sentimentais, os beats e o sotaque pernambucano de Duda Beat ganharam o Brasil com uma agenda intensa de shows, principalmente no sudeste brasileiro que tem consumido diversos artistas nordestinos.


A recepção tá sendo maravilhosa, não só pra mim, mas pra toda a galera da Bahia, que tá crescendo muito em São Paulo e no Rio, como a Luedji Luna, a Xênia França, o Baco Exu do Blues. O nordeste todo, musicalmente e culturalmente, é muito bem visto no sudeste. As pessoas amam e valorizam bastante a cultura do nordeste. Eu tenho notado que cada vez mais tem crescido os espaços pra música nordestina, e tem rolado toda uma movimentação de cena baiana e pernambucana.

defende Duda Beat.

Tá na cara que o mercado, e as pessoas que consomem música pop, estão ansiosos por ver cada vez mais coisas fora do comum e do já conhecido. Não é à toa que as drags estão dominando a música pop brasileira e o bad beat de Duda ganhou holofotes nessa procura pelo inusitado.

“Muita gente chega pra mim e fala que meu disco tá sendo um sucesso, com muitos plays. Eu entendo o sucesso do meu disco de uma forma diferente. A quantidade de mensagem que eu recebo no inbox no Instagram e no Facebook dizendo o quanto o meu disco e as minhas palavras ajudaram as pessoas a superar o fim de um relacionamento, a se valorizar e se amar mais. Isso, pra mim, é o verdadeiro sinônimo de sucesso.”

confessa a cantora pernambucana, que dispõe de um tempo de seu dia para conversar com os fãs nas redes socais.

Apesar da distância geográfica entre Pará e Pernambuco, os dois estados compartilham a grande influência e produção do brega, ainda que com diferenças, o mercado desse ritmo é muito parecido nos dois estados, sendo consumido de forma extensa pela periferia. E, sem dúvidas, o brega tá presente no pop pernambucano feito por Duda Beat.


“Eu cresci ouvindo brega. Lá em Recife, o brega é extremamente valorizado, tem até programa de bregas na televisão por volta de 1h da tarde. Eu voltava da escola e almoçava vendo esses programas que me influenciaram totalmente. O Pará tem uma cena de brega maravilhosa, eu cresci ouvindo Calypso e essas sonoridades realmente estão presentes no meu trabalho. A “Bédi Beat” é um brega meio reggae, é uma coisa bem paraense que eu amo e que eu espero trazer muito mais pro meu disco e pra minha vida.”

explica Duda Beat, que irá tocar na mesma noite de um dos expoentes do brega e do calipso, a banda Xeiro Verde, no Psica Festival.

Apesar da “bad” estar presente, o show de Duda Beat é dançante e promete levar alegria ao público do Psica, ainda que as palavras fortes de Duda estejam presente nas canções: “eu vivia à flor da pele nem percebia / que todas as vezes que eu ria era vontade de chorar”, “Eu nunca fui tão humilhada nessa vida por você, meu amor”, mas também canta
“eu não vou buscar a felicidade em mais ninguém”.


“Realmente a gente tem um sintoma na nossa sociedade, que o [Zygmunt] Bauman já escrevia lá atrás sobre os “Amores Líquidos”. As pessoas lutaram tanto por liberdade que hoje em dia elas têm liberdade total principalmente nos relacionamentos e não sabem bem lidar com isso. Desde que inventaram essa história de ficar, a valorização do amor e da construção de algo amoroso se perdeu. É muito difícil as pessoas se apegarem hoje em dia. E eu, que sou uma pessoa romântica, sofro muito com isso.”

confessa a artista.

Além do show no festival Psica, Duda ainda planeja aproveitar a cidade pra conhecer o Mercado Ver-o-Peso, tomar um açaí, que seus amigos paraenses que moram no Rio falam tanto, e visitar a Ilha do Combu. De repente, ela se inspira e escreve um brega bem paraense pra gente, hein.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO PSICA FESTIVAL

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(Jornalista)

Gustavo é jornalista e gerente de comunicação do selo Urtiga.

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