"Os festivais são a concretização da cena autoral" diz integrante da O Cinza, que toca no Psica Festival

A banda é um dos destaques da primeira noite de shows do festival paraense.

Foto de destaque: Cabron Studio | @cabronstudios

Coceira é parceiro de conteúdo do Psica Festival

Não faz muito tempo que a banda O Cinza está presente na noite paraense. O primeiro EP, “O Mais Belo Registro da Casa 270”, foi lançado em 2016 e naquela época os integrantes ainda frequentavam o colégio e dividiam a atenção entre as aulas e os shows que iam surgindo aos poucos. Em 2018, a banda foi uma das que mais circulou pelos palcos que recebem música autoral no Pará, abrindo até pra banda Fresno e fechando o ano como um dos destaques da programação do Psica Festival. Eles se apresentam hoje, no palco da Na Figueredo, na primeira noite de shows do evento.

Anthony Carvalho (guitarra), Leonardo Castro (guitarra), Davi Holanda (bateria) e Malu Guedelha (voz principal) se conheceram no colégio quando ainda tinham entre 15 e 16 anos. A banda ficou completa quando Pedro Imbiriba (contrabaixo) se juntou ao time, como indicação da mãe de Anthony, que conhecia o filho de uma amiga que poderia ajudar. Foi quando a banda foi apadrinhada por Joel Flag, tio de Pedro, integrante da lendária Suzana Flag, e juntaram os instrumentos para gravar seu primeiro registro profissional em Castanhal, onde o músico mora.

“O Joel foi um padrinho, fez o nosso som ficar mais “ouvível”, porque era um negócio horrível. A gente foi pra Castanhal e foi interessante esse processo porque o nosso EP teve uma projeção muito maior do que a gente tava esperando”

confessa Anthony, um dos guitarrista, que hoje tem 19 anos e pretende ingressar na graduação em música.

O segundo lançamento, “O Lugar Onde Envelhecemos”, teve a mentoria de Andro Baudelaire, que produziu o EP em seu estúdio Abbey Monsters ao lado, novamente, de Joel Flag. Lançado em 2017, esse trabalho garantiu para a banda um ano intenso em 2018, com shows em festivais e inferninhos da capital do estado, o que, para Anthony, foi o principal propulsor de um crescimento tanto de técnica musical quanto de palco.

Apesar da vantagem de estar tão cedo em palcos profissionais, a pouca idade infringia a lei de proteção de crianças e adolescentes: eles eram impossibilitados de tocar em bares em horários em que não era permitido a permanência de menores de 18 anos em locais de consumo de bebida alcoólica.

“Quando a gente começou a tocar, a gente tinha que tocar com alvará judicial. Teve uma vez que a gente subiu no palco e desligaram o P.A. porque a gente era menor de idade e esse foi o pior momento das nossas vidas”

narra o músico. Ainda bem que todo mundo já completou 18 anos, né?

Além do show em que eles abriram para a Fresno, Anthony lembra de outros dois momentos no palco que marcaram o ano. Foi num show na UFPA, dentro das seletivas para o Red Bull Music Breaktime Sessions que, apesar da greve dos caminhoneiros, estava lotado; e o show no Teatro Waldemar Henrique, que foi gravado na íntegra e tá disponível no YouTube para visualização.

Da esquerda para a direita: Davi Holanda, Pedro Imbiriba, Malu Guedelha, Anthony Carvalho e Leonardo Castro forma a “O Cinza”. Foto: @manu.ph

Com pouco mais de dois anos de estrada, a sede por construir uma carreira ainda maior da que eles têm hoje é imensa. “A gente tá com objetivo de fazer a banda acontecer mesmo em 2019”, vislumbra o músico. Nos planos ambiciosos, estão a gravação do primeiro disco cheio e a possibilidade de começar a fazer shows fora do Pará.

“A gente é novo mas enxergamos a música como nosso trabalho, mesmo. As pessoas não viam a gente como uma banda séria, viam como uma banda de moleques. A gente é uma banda de moleques, sim, mas com um trabalho muito sério”

avisa Anthony.

O público pode acompanhar a agenda de shows da banda em suas redes sociais e, se tiver a oportunidade, pode marcar presença no show da segunda edição do Psica Festival, que começa nesta sexta, 21, com apresentações na Na Figueredo. O evento vai até o sábado, 22, onde terá Ratos do Porão, As Mercenárias, Duda Beat, Banda Xeiro Verde e muito mais, no Insano Marina Club. A banda O Cinza toca nesta sexta-feira, por volta de 22h. Os ingressos estão à venda na bilheteria a partir de 17h.

O Psica é massa, porque a cena autoral, pra acontecer de fato, precisa que o artista toque. Não é só ouvir a música, ouvir o disco, essa relação 100% virtual. A música acontece quando tem essa conexão do artista e do público. Um festival é a materialização da cena autoral, é a concretização de tudo o que a gente trabalha, de tudo o que a gente se esforça pra gravar e lançar coisas”

defende Anthony.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

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(Jornalista)

Gustavo é jornalista e gerente de comunicação do selo Urtiga.

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