Com quase 20 anos na ativa, As Mercenárias afirmam “É preciso persistência para permanecer na cena”.

As Mercenárias voltam à Belém e recebem as paraenses Sammliz e Aíla no palco do Psica Festival 2018 que acontece amanhã, 22.12.

Foto: Carol Garcia

O Coceira é parceiro de conteúdo do Psica Festival

“Estamos todos por baixo das mesmas garras”, é o que diz a curta e rápida letra de ‘Inimigo’, música que atualiza sua interpretação desde 1986 quando foi lançada pelas paulistas “As Mercenárias” e recebe um forte sentido com a aproximação de 2019. Com certeza essa é uma das músicas que serão cantadas em alto e bom som pelo público do Psica Festival 2018, que receberá Sandra Coutinho (vocal e baixo), Michelle Abu (bateria) e Mari Crestani (guitarra), as veteranas do punk brasileiro, pela terceira vez na capital paraense.

“A primeira vez que a gente foi, há muito tempo atrás, eu me lembro que fiquei impressionada porque tinha uma garota cantando ‘Loucos Sentimentos’, uma música difícil porque é cantada de forma declamada, então fiquei surpreendida com a garota fluente na letra”, afirma Sandra Coutinho, baixista e uma das fundadoras do grupo, ao lembrar o carinho memorável do público paraense.

O reconhecimento da banda é uma constante desde o seu surgimento nos anos 80, quando havia poucas bandas lideradas por mulheres e por isso elas se tornaram a principal referência para muitas compositoras, uma influência que transborda as barreiras do punk e chega ao pop e MPB.

A permanência a longo prazo das mulheres na cena musical é um ponto que preocupa a baixista Sandra Coutinho, única integrante que permaneceu na banda desde a sua criação e que viu na sua trajetória muitas colegas, tanto das Mercenárias quanto de outras bandas da época, abrirem mão da carreira:

“O que acontece é que nem todo mundo vê na música a sua história, para algumas é uma fase da vida, e muitas bandas talvez não tenham perdurado porque é preciso persistência para permanecer na cena”.

Sobre a nova safra de mulheres na música, Sandra está sempre ligada, apoia e colabora como pode, mas faz seus alertas “É necessário que a música seja uma meta na vida delas, uma parte da expressão de vida.”

Essa vivacidade e garra pela carreira musical, Sandra encontrou em Sammliz e Aíla, dois expoentes da música paraense que, não por mero acaso, têm As Mercenárias como uma das maiores referências artísticas. Uma vindo do metal e outra de um caminho mais pop, Sammliz e Aíla são as convidadas que dividem o palco com o grupo paulista amanhã (22/12) no Psica Festival 2018.

Para Sandra Coutinho “Tanto ser convidada quanto ter convidados é sempre muito interessante porque mexe com a música, ela vai se ampliar porque uma outra pessoa vai interpretar da forma que ela entende a música, ou seja, como aquela música fez parte da vida delas [Sammliz e Aíla], e isso movimenta a arte que não pode ficar estagnada”.

Ter as Mercenárias como ponto de referência é algo que aconteceu quando Sammliz era adolescente e montou suas primeiras bandas punk-hardcore, entre elas a “Morganas”, única banda formada só por mulheres em Belém no início dos anos 90 e logo começou a marcar presença no circuito independente de shows e festivais. Por sua vez, Aíla se aproximou do som das Mercenárias na produção do seu segundo álbum, “Cada Verso Um Contra Ataque”, que trouxe um forte teor crítico e músicas inspiradas no formato de letras curtas e rápidas do grupo paulista.

Entre participações em shows, composições ou apenas dividindo um peixe na Ilha do Combu, Sammliz e Aíla conseguiram estreitar laços artísticos com uma das suas maiores referências e é esse intenso reencontro que mal podemos esperar para assistir no palco do Insano Marina Club.

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Isa é jornalista e gerente de distribuição do selo Urtiga.

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