Andro Baudelaire está bagunçando a Guitarrada: e isso é bom

O disco "Amarelo Guitarrada" e todos os videoclipes que o artista têm lançado são prova disso.

Foto de destaque: Christian Oliveira

Primeiro fato que precisa ser deixado claro no começo desse texto: o músico, produtor e compositor Andro Baudelaire é um dos nomes mais presentes na cena paraense de música independente, liderando bandas que já têm décadas de história, como A Vinyl Laranja e a The Baudelaires, e produzindo parte da nova safra de música autoral paraense com seu estúdio Abbey Monsters. Ponto.

Mas foi o trabalho solo do artista que nos deixou com a pulga atrás da orelha, pensando: que raios de música e artista é esse? Depois de dois discos lançados sob o nome de “Andro Baudelaire” (“Sampleando Tchaikovsky”, 2016, e “Egrégora”, 2017), chegou “Amarelo Guitarrada”, 2018, que veio no mesmo clima do single “Fiz Minha Primeira Guitarrada”. 

Desconstruindo o brega, a lambada e a guitarrada, toda a comicidade genuína de Andro veio à tona com a força de sua personalidade. Andro utiliza os moldes da guitarra paraense para aplicar seu próprio jeito de fazer música e de tocar guitarra, com influência do caminho que o artista veio trilhando com o tempo, sempre ligado ao rock gringo. 

Pode parecer que Andro tira sarro da música paraense, ou daquilo que pode ser considerado música regional do estado do Pará, porém, na verdade, ele leva a escola paraense de guitarra para outros níveis, outros públicos e outras interpretações. Esse caminho é muito parecido, inclusive, com o que a própria guitarrada fez, décadas atrás, misturando as batidas e a levada do carimbó, siriá e companhia com sonoridades caribenhas (gringas).

A música é um ser cambiante, que se transforma com o passar do tempo, sempre. Músicos como Andro Baudelaire, que têm sede pelo novo e a mente louca, aceleram esse processo e nos mostram a beleza da experimentação musical, apontando sempre novos e diferentes caminhos. A audição do “Amarelo Guitarrada” pode parecer de estranhamento, por conectar tantos pontos que ainda não tinham sido conectados antes, deixando a música autoral em Belém ainda mais diversa e interessante.

Conversei com o Andro sobre esse mergulho nos ritmos do estado e ele conta que essa mudança trouxe vigor para o seu trabalho, ainda que tenha existido medo da recepção do novo som por parte da cena. 

“Me revigorou fazer algo diferente e regional, me senti conectado e espero não largar esse flerte nunca mais, mas sim só continuar transformando ele em algo novo. Houve um grande receio no início, ainda mais porque, digamos que, os ritmos regionais estavam na crista da onda. Mas toda vez que eu tenho receio e medo, é meu batsinal pra ir lá e fazer. O medo é a bússola do destino”,

explica o artista.

Confere o videoclipe de “Te Quero Só Pra Mim”, que o artista lançou na última sexta-feira, 23 de novembro.

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(Jornalista)

Gustavo é jornalista e gerente de comunicação do selo Urtiga.

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