Marisa Brito sobe ao palco e recebe o público como uma anfitriã

Foto de destaque: Diogo Vianna

No último final de semana, Marisa recebeu o público no Teatro Waldemar Henrique como se estivéssemos entrando em sua casa, e talvez realmente estivéssemos. Para apresentar as canções do EP Coração na Boca, a cantora e compositora escolheu um palco baixo, em um nível que poderia olhar a platéia nos olhos e passar todos os sentimentos que ela tinha naquela noite, que, por sinal, eram muitos pois ela estava cantando na sua cidade, no dia do seu aniversário e o seu público estava ali, ocupando todas as cadeiras do teatro mesmo em um preguiçoso domingo.

O ambiente já lhe era muito familiar, o que com certeza não diminui a sua ansiedade mas aumentou a sensação de estar em casa. Há alguns anos atrás, aquele palco foi cenário para o clipe de “Brechot do Brega” da A Euterpia, banda em que Marisa começou sua carreira musical, chegando timidamente para cantar apenas uma música em parceria e logo sendo convidada para cantar todo o repertório e crescer na cena independente como uma das grandes vozes paraenses.

Na banda que a acompanhava estavam grandes amigos que Marisa fez em seus 20 anos de carreira: Marcel Barreto, Adriano Souza, Beá Santos e Andro Baudelaire, este que fez um breve e limitado dueto com a cantora por um problema na garganta, mas não deixou de curtir com ela os dois singles que compuseram juntos, “Não Venda as Minhas Coisas” e “A Culpa é dos Planetas”. Durante a apresentação, era frequente a interação da artista com os integrantes da banda, como se quisesse sentir a vibração de cada instrumento e retransmitir essa energia para a platéia.

Quem já conhecia as músicas da Marisa sabia que a sua técnica vocal nos deixaria arrepiados durante toda a apresentação, mas quem não conhecia percebeu isso logo na primeira música, “Falas”. Os agudos da cantora são agradáveis e foram muito bem vindos aos ouvidos, seja durante suas músicas ou quando interpretou canções de Zizi Possi, Julieta Venegas e “Veneza”, primeira música que cantou com a banda A Euterpia.

Performática, Marisa cantou as letras não apenas com a voz, mas com o corpo e por isso a leveza das músicas escorriam pelos seus braços que não paravam de flutuar com as notas e sempre buscavam aproximar quem estava presente. Seja no palco ou indo para o meio da platéia, a cantora fez questão de se conectar e reconhecer cada rosto, fazendo com que todos se sentissem especiais, ficando a impressão de que ela estava esperando encontrar exatamente cada um de nós que estava ali. O show da Marisa Brito é daqueles em que você pode ir sozinho sem se acanhar, pois a própria Marisa será sua companhia e ela vai estar muito feliz por você estar ali.

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Isa é jornalista e gerente de distribuição do selo Urtiga.

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